Publicado 2 de dezembro de 2010 às 1:22
por Nosso Lar

ERA UMA VEZ …. Basta alguém proferir tais palavras para que a criança comece a dar asas a sua imaginação e inicie mais uma viagem pelas terras mágicas.
Toda criança adora ouvir histórias, pois durante esta atividade nada mais espera que viver esse momento e, a cada passo dado no mundo de sonhos e fantasia encontra um sentido para a vida.
O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem, no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para todos. Não há povo que não se orgulhe de suas histórias, tradições e lendas, pois são a expressão de sua cultura e devem ser preservadas.
A história tem alegrias, tristezas, paixões, decepções… Pode estar escrita em forma de aventura, trazendo um desafio ou uma missão para o personagem principal.Também, narra a transformação da vida do personagem, que passa de sapo a príncipe, de pobre a rico ou de infeliz a muito feliz. É assim, misturando fantasias e significados, que são os contos de fadas, narrativas muito antigas que nem sempre estiveram nos livros.
Desde a remotíssima antigüidade (especialistas apontam para uma tradição oral que começa há mais de 25.000 anos), a relação de qualquer criança com o mundo sempre dependeu dos relatos míticos e religiosos, cujos elementos básicos constituintes encontram-se espalhados por uma miríade de células narrativas de caráter mágico, as quais denominamos contos de fadas.
Os contos de fadas exercem uma influência muito benéfica na formação da personalidade porque, através da assimilação dos conteúdos da história, as crianças aprendem que é possível vencer obstáculos e saírem-se vitoriosas (o herói sempre vence no final). Isso ocorre porque, durante o desenrolar da trama, a criança se identifica com as personagens e “vive” o drama que ali é apresentado de uma forma geralmente simples, porém impactante.
Quem não se lembra da aflição que sentiu ao ouvir contar que, “de repente, a menina se viu perdida na floresta”? A criança que escuta atentamente a história logo se sente e imagina também perdida naquela mesma floresta imensa e desconhecida.
O contador de história vê-se envolvido em todo este processo. Um adulto que goste de contar histórias não escapa ao seu próprio fascínio e descobre a cada momento, a cada pausa, o efeito que as suas palavras e a sua expressão provocam nele mesmo e na criança que ouve, de olhos maravilhados.
Conflitos internos importantes, inerentes ao ser humano, como a inevitabilidade da morte, o envelhecimento, a luta entre o bem e o mal, a inveja, etc. são tratados nos contos de fadas de modo a oferecer desfechos otimistas. Desta forma, oferece à criança uma referência para elaborar os terríveis elementos ansiógenos que habitam seu imaginário, como seus medos, desejos, amores e ódios, etc., que na sua imatura perspectiva concreta apresentam-se amedrontadores e insolúveis. Esse aprendizado é captado pela criança de uma forma intuitiva (por estarem os elementos sempre carregados de simbolismo) tornando-se muito mais abrangente do que seria possível se fosse feito pela compreensão meramente intelectual. Acredita-se que o efeito integrador que os contos de fadas têm sobre a personalidade seja o fator responsável pelo fato de terem resistido à passagem do tempo e terem se universalizado.
Alguns autores vão mais além ao afirmar que, se por qualquer razão, uma criança for incapaz de imaginar seu futuro de modo otimista, ocorrerá uma parada no seu desenvolvimento geral. E trazer mensagens da vitória do bem sobre o mal é o que os contos de fadas fazem com maestria. Evocam sempre uma verdade atemporal. A criança, internamente, fará a transposição para a sua realidade atual. E em função de suas necessidades psíquicas momentâneas, vão reelaborando seus conteúdos internos através da repetição da história. É por isso que tão comumente vemos as crianças pedirem a seus pais que repitam a mesma história inúmeras vezes (ou desejam ver o mesmo filme repetidamente), que a contem novamente sem nenhuma modificação: trata-se da referência que ela está usando para compreender-se, para elaborar suas angústias ainda não resolvidas. Além disso, a repetição lhe dá uma confirmação do conteúdo que ela está processando e precisará dessa confirmação até que o conflito interno esteja solucionado. Só então deixará de solicitar aquela história.
O papel dos pais
É claro que, seja qual for a fase da vida de uma criança, a influência dos pais é definitiva na educação seja ela social ou cultural. Não se pode dizer, entretanto, que pais não-leitores formarão necessariamente filhos que não se interessem pela leitura, pode haver a sedução pelo mundo da leitura em qualquer idade e a formação escolar também tem um papel importante nesse processo. Dar um livro de presente não significa incentivar a leitura necessariamente.
Conhecer os livros que fazem parte da realidade infantil e juvenil, além de favorecer o diálogo entre pais e filhos, mostra que a leitura se faz de um momento solitário e de muitos momentos para compartilhar as experiências vivenciadas naquele livro.
A história é, para a criança, um instrumento ideal para manter o adulto perto dela. Raramente o adulto tem tempo para brincar com a criança como ela gostaria, ou seja, com dedicação e participação completas, sem se distrair.
As crianças imitam as atitudes dos pais, seja no desejo de passar batom ou de fazer a barba. O que rege essas atitudes é o desejo de ser parte do mundo que os pais integram. Quando na rotina dos pais é incluída a leitura, parecerá para a criança natural e bom o ato de ler.
Os adultos também fantasiam e assim como as crianças, transferem aos personagens seus desejos e suas angústias. Transportam-se não para o livro, mas para a tela da TV, na tentativa de, por meio da simbolização, elaborar os conflitos cotidianos. Vivem cada momento da novela, choram com a moça que perde seu filho, não pela moça, mas por todas as lembranças suscitadas de todas as perdas pelas quais já passaram e entram num verdadeiro processo catártico. Finda a novela, voltam à sua vida normal, já aliviados, pois o bem venceu o mal e existe a esperança de que apesar das dificuldades encontradas no caminho, é possível vencer. É essa a mensagem dos contos de fadas, é isso que impulsiona o ser humano à vida.
Por Célia Luiza Monteiro

Tags: cultura, história, imaginação, mamãe, papai Publicado em Artigos
Publicado 16 de novembro de 2010 às 19:35
por Nosso Lar

No primeiro dia de aula as alunas já conheciam o embrião do projeto daquele grupo que fora apresentado em alguns encontros-pilotos visando desmistificar a idéia de escola para a maturidade.
Houve dificuldade para formar a turma, pois muitas pessoas se sentiam desencorajadas por terem parado de estudar muito jovens e terem aprendido somente as primeiras letras, outras porque iriam remexer o passado que já estava enterrado, afinal o primeiro módulo seria sobre memórias e outras ainda achavam que não valia a pena….
Todavia, crê-se, conforme Lima,…que é efetivamente pela educação que vamos auxiliar o idoso a exercer a nova cidadania, fazendo-o sentir a necessidade de mudanças, de unir-se e criar espaços para tornar visíveis suas necessidades, suas soluções, propostas vindas do próprio idoso. (Lima, 2000, p. 48).
Mesmo com grupo reduzido, o curso teve início. Uma aluna idosa avisara que não iria aos encontros antecedentes, mas faria o curso. Era a única do grupo que tinha nível superior, adorava se arrumar, ler, fazer crochê, tricô, falar e principalmente rir. Sua chegada à aula foi um acontecimento.
Imagine uma mulher, chamada Flor, com oitenta anos, totalmente independente, mais de um metro e oitenta de altura, cabelos brancos, maquiada, brincos, anéis, colares e pulseiras, óculos com corrente, vestido estampado e BATOM VERMELHO. Provavelmente aprendeu com, ou ensinou, à Gloria Kalil, sobre moda e comportamento para os maiores de 70 anos:
Pode tudo. Pode muita bijuteria, roupas étnicas, perfumes fortíssimos, cabelo branco, rosa, azul, estufado, cheio de laquê… Quanto mais extravagantes na aparência, mais poderosas ficam. (KALIL, 2004, p.184).
Para criar um clima propenso a trabalhar a auto-estima e promover a integração entre elas, no primeiro encontro, a professora solicitou que cada aluna escrevesse ou desenhasse no papel um defeito seu. Enrolasse o papel como um canudinho e o colocasse cerimoniosamente dentro de uma garrafa de gargalo estreito, estrategicamente disposta sobre a mesa, no centro do salão, considerando que estariam se livrando do defeito naquele momento. A seguir, cada uma deveria falar sobre uma qualidade sua, que ficaria registrada no painel, com letras bem grandes, para que todas pudessem ler.
Quando chegou sua vez, ela disse que precisava dizer pelo menos três! E falou bem alto:
-Sou BOA, BONITA E GOSTOSA!
Foi só risada. O clima ficou ótimo e a aula fluiu em alto astral.
Nas aulas que se seguiram ela sempre se mostrou muito espirituosa, seus comentários, relatos, lembranças eram recheados de sonhos. O drama sempre se transformava em vitória, o problema em solução, a dor em risadas. Percebia-se que dentro dela havia uma vida vivida e outra contada.
Acreditamos que todos os que detêm a palavra – artista, políticos, anônimos – buscam a escuta e o diálogo, e relatam a verdade possível, no tempo e no espaço presentes na narrativa – meio-verdade, meio-ficção. (BRANDÃO, 2008, p. 69).
Além de sua participação esfuziante, não perdia a oportunidade de cobrar da professora o BATOM VERMELHO. Tentava convencê-la que isto daria vida ao seu rosto pálido e garantia que ela ficaria mais bonita e atraente, pois com sua pele clara, cabelos negros e lisos haveria um belo contraste.
Certa vez contou que uma de suas filhas tinha vergonha e a criticava por sua maneira de se apresentar, sempre cheia de badulaques e muito colorida. Naquele momento ficou triste, enxugou uma lágrima, sorriu e disse:
- Mas vou continuar assim até morrer!
O convívio, na escola, foi curto – um mês e meio. De repente ela perdeu a visão, percebia somente sombras e vultos, tudo muito escuro. Ao procurar ajuda médica, depois de muitos exames que não acusaram nenhum problema em suas vistas, foi detectado um aneurisma que estava localizado atrás dos olhos comprimindo o nervo ótico. Protestos a parte, afastou-se, alegou que iria tratar-se, recuperar-se e então voltaria.
No primeiro momento acreditou que poderia… Porém logo percebeu a gravidade da doença, seu abatimento foi gigantesco, quem a via não reconhecia aquela mulher que a todos fazia rir. Estava desolada devido à cegueira, inconformada com a situação. Não aceitava viver sem a luz dos olhos que sempre lhe permitiram admirar a beleza da vida.
Queria operar, cobrava dos médicos, mas mesmo os melhores da área mostravam-se céticos e desconversavam. O risco era muito grande. Ela queria arriscar, eles não. Declarava abertamente que seu tempo aqui estava chegando ao fim, não tinha mais motivação para viver. Não queria lutar para viver cega, queira enxergar, ou morrer!
Embora tivesse se afastado do curso, participou do almoço de encerramento no mês de dezembro. Aproveitou a oportunidade e presenteou a professora com um BATOM VERMELHO.
Neste dia falou, cantou, brincou, riu, brindou, mas nas entrelinhas via-se a tristeza em seu semblante. Já não acreditava naquilo que falava.
Antes do ano novo, ligou para todas amigas e amigos despedindo-se, desejando tudo de bom e informando que iria morar com uma das filhas. Sabia que não podia mais ficar só. Estava perdendo sua tão decantada independência, o que até recentemente ela abominava.
Flor marcou a vida de todas, embora em pouco tempo de convívio na escola, com suas gargalhadas, comentários, alegria, entusiasmo, ensinamentos e…. marcas de BATOM VERMELHO!
Hoje a professora, triste, olhou-se no espelho, estranhou, ficou rubra e saiu. Foi ao hospital levar flores para uma Flor que está na UTI se despedindo da vida.
Os filhos ao vê-la, dizendo que ia ao hospital, debocharam, o marido estranhou e ficou enciumado, as amigas se espantaram, e ela percebeu que Flor tinha razão – estava mais bonita e atraente, tudo porque em homenagem à Flor estava usando BATOM VERMELHO!
Obs.: Flor partiu um dia depois deste texto. Seu corpo foi sepultado enfeitado com anéis, pulseiras, colares, brincos e trazia nos lábios, um sorriso, delicadamente maquiado com BATOM VERMELHO.
Cida Mello
BIBLIOGRAFIA:
BRANDÃO, Vera Maria Antonieta Tordino. Labirintos da memória: quem sou? São Paulo: Paulus, 2008
KALIL, Gloria. Chic[érrimo]. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
LIMA, Mariúza Pelloso. Gerontologia educacional. São Paulo: LTr, 2000.
http://www.partes.com.br/terceiraidade/batomvermelho.asp

Tags: auto estima, terceira idade Publicado em Artigos
Publicado 12 de novembro de 2010 às 16:01
por Nosso Lar

A tarefa escolar a ser realizada em casa é algo comum na rotina de muitas famílias. Porém, como podemos organizar estas atividades para realmente contribuir com o aprendizado da criança e do adolescente?
Muitas vezes observamos os pais queixando-se das tarefas de casa ou ainda deixando de dar à devida atenção a proposta dos professores. Neste artigo buscamos refletir um pouco sobre tal ferramenta utilizada nas escolas desde a educação infantil.
Objetivos da lição de casa:
Quando o professor planeja as lições a serem executadas em casa geralmente tem por meta dois objetivos básicos:
1.° - Fixar conteúdos pedagógicos desenvolvidos em sala de aula. Neste aspecto os pais têm um meio de observar como está o aproveitamento escolar da criança ou do adolescente. Se a lição aparentar ser demasiadamente fácil, a criança pode ser estimulada a avançar na aprendizagem, enfrentando desafios com maior elaboração. Quando ocorre o contrário e a criança não consegue realizar a tarefa, necessitando por vezes de muita ajuda, isto pode ser indicio de que a mesma está com dificuldade para acompanhar a classe e os conteúdos apresentados pelo professor. Neste caso os pais devem solicitar reunião com a coordenação pedagógica escolar para buscar soluções que favoreçam a aprendizagem dos filhos. Não espere a reunião bimestral planejada pela equipe escolar, pois quanto mais cedo se intervir, melhores serão os avanços da criança.
2.° - Desenvolver responsabilidade na criança e no adolescente. Ao executar as lições de casa, além de exercitar o aprendizado realizado em sala de aula, seu filho estará desenvolvendo noções de responsabilidade que os indivíduos encontram ao longo da vida, como por exemplo, cumprir com prazos de entrega de um produto, elaborar relatórios para o chefe, organizar as despesas domésticas, etc. Por isso a rotina familiar deve incluir um tempo para realização da lição de casa visando contribuir com os objetivos escolares.
Abaixo pontuamos algumas dicas que poderão favorecer na organização da criança e do adolescente diante da lição de casa:
1. Peça pra seu filho lhe mostrar os cadernos. Além de observar as lições a serem realizadas, você estará acompanhando o que está sendo ensinado na escola.
2. Estimule a criança a organizar e a preservar os materiais escolares.
3. Combine com a criança horário diário a ser destinado para a lição de casa. Mesmo que o professor não passe as lições constantemente, estipule que neste momento ele estará revendo o que aprendeu em aula ou ainda executando a leitura. Cuidado, porém, com o número de horas para a lição de casa! O equilíbrio entre o tempo de lazer e o tempo de estudo é fundamental para o desenvolvimento sadio e para que a criança goste de estudar tanto quanto gosta de brincar.
4. Valorize e demonstre interesse pelas produções escolares de seu filho. O ser humano possui a necessidade de receber reconhecimento nas ações que executa e a criança sente prazer em ser elogiada desde pequenina, mesmo que suas tarefas sejam mínimas. Contudo, seja sincero! Quando a lição precise ser refeita, converse com a criança, pontuando que você acredita em sua capacidade de fazer o exercício de forma mais adequada. Utilize frases do tipo: “Você é capaz de fazer um desenho mais bonito” ou “Tenho certeza de que você sabe fazer uma lição melhor”, são mais adequadas do que as que dizem: “Que horror! Isso está péssimo, vou jogar fora!”
5. Quando a criança resiste em cumprir com as lições, faça com ela combinados. Senso de responsabilidade é diferente que castigo. Se a criança não cumprir com os combinados, você deve manter sua palavra em não deixá-la desfrutar de um lazer, como um passeio por exemplo.
6. Não pague para seu filho fazer a lição! Alguns pais, na ânsia de buscar favorecer a aprendizagem da criança, prometem presentes ou mesadas caso a lição seja feita ou as notas melhorem. Acompanhar os deveres de casa e conseguir boas notas fazem parte das obrigações da criança.
7. Organize sua rotina para estar atento a lição de casa. As exigências de horários, o trabalho doméstico e outras tantas obrigações dos pais por vezes distanciam os mesmos no momento de fazer a tarefa. Porém pequenas mudanças podem favorecer para que os pais consigam acompanhar atentamente o aproveitamento escolar da criança. Aproveitem esta oportunidade, pois, com o desenvolvimento da independência, a tendência é que a criança busque menos os adultos na execução de suas atividades.
8. Resista a tentação! Não faça jamais a lição de casa no lugar da criança! Se a tarefa parecer muito difícil, busque conversar com o professor a fim de entender a proposta da escola. Ler e orientar são ações diferentes de fornecer as respostas ou ainda executar o exercício para o filho.
9. Em tarefas de pesquisa, evite que a criança copie todas as atividades da internet, assim ela deverá ler os assuntos para se inteirar dos mesmos, antes de entregar trabalhos na escola.
10. Quando for penoso para você acompanhar as lições, ou ainda faltar paciência, busque ajuda de um professor particular, por exemplo. Vemos muitas relações entre pais e filhos se tornarem desgastadas devido à dificuldade de acompanhar as tarefas escolares. Evite se alterar diante da criança. Tal atitude pode deixar marcas profundas.
11. E como último apontamento, a infância é uma fase importantíssima no desenvolvimento de seu filho.
Os anos passam rápido, assim aproveite cada etapa de aprendizado, acompanhando suas conquistas, mostrando com seus gestos o quanto ele significa para você.
Célia Luiza Monteiro
Psicopedagoga Clínica formada pela Escola
Psicopedagógica de Buenos Aires e atuante da equipe do SEAPP

Tags: adolescentes, aprendizagem, atividades, criança, educação infantil, escola, estudo, família, lição de casa, psicopedagogia Publicado em Artigos